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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Nomes

a tudo um nome
um nome a tudo
joão, carlos, maria.
deram nome a pedra,
a mata, aos animais
mas se não fossem os nomes
como tudo se chamaria?
quiçá ninguém se entendensse
e tudo iria ser uma grande porcaria
se os nomes não fossem estes,
que nome tudo teria?
se tudo fosse apenas "coisa"
medo causaria
ainda bem que inventaram os nomes
se não como eu me chamaria?

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Clareia

É lua cheia,
bela, vem iluminar
pobres almas tristes
que num único lamento estão a penar
são anjos de asas cortadas
sem o direito de voar
a eles não deram nada
somente a luz do luar...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Pra onde ir? (para onde o mundo me leva?)

Ah estes meus caminhos duplos
Sempre bifurcam este meu viver
Sempre dois caminhos
e eu;
querendo um terceiro
para me esconder...

Suicídio

Um corte reto
sai um risco vermelho
Todo o meu resto
reflete como num rubro espelho
o tudo que não presto
foge pelo ralo do chuveiro
desejos, medos, versos...

Velhos tempos (de quando eu vagamundeava nas madrugadas de Joinville)

Olho para trás e vejo sonhos velhos
Palavras espalhadas, empoeiradas
jogadas pelos cantos.
vontades esquecidas
desejos abandonados
perdidos pelas praças
sob os bancos de pedra da Nereu.
Outras naufragaram no laguinho do museu
ou jazem sepultadas
no cemitério dos imigrantes
ainda ouço ecos nas ruas vazias
resquícios das conversas frívolas
etéreas revoltas juvenis
cheirando a álcool e biscoito
vinho barato e roto
as calçadas ainda guardam as pegadas
das andanças intermináveis
na busca do velho rock'n'roll
nômades vestindo negro
de almas claras e asas cortadas
sangram a madrugada silenciosa.
em nossos rostos ébrios, coragem
em nossas palavras amarradas,
Desejos e vontades berradas
para quem quisesse ou não ouvir.
Na poeira da rua
no cheiro do vinho
na languidez da fumaça proibida
fica para trás escondida
a etérea vida perdida, esquecida...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Isso que me resta

disto tudo que me resta
Verso a sobra do que não presta
Talvez seja um pouco de pressa,
Quiça esta vida as avessas
que faz com que hora eu cresça
outras desapareça...
disto tudo que me resta
só fico com oquê não presta.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Compreender

Não sei porque rabisco
letras, palavras, desenhos
quiçá algo de poeta
quiçá algo de talento
mas acho que só invento
ao menos tento
muitas vezes graças
tantas outras lamentos
porém tudo não passa
da personificação de meu tormento...

terça-feira, 17 de maio de 2011

...

Armada figura exótica
de pele encouraçada
e garras expostas
fere a mão
fere o coração
de quem a encosta.

Espelho torto

Tem vezes que me
desfaço
e vejo meu rosto ao
avesso
outras vezes me desosso
vísceras
sangue
desgosto
tem vezes que palavras
ambíguas
se unem covardes, inimigas
e dissertam incompletas verdades
escondidas...
E ME DISTORCEM.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Pena d'eu (cristianidades)

Pobre curitibano é oque sou
pobre curitibano despatriado
catarinando por estes lados
suando em bicas
saudades do ar gelado
pobre curitibano é oque sou
chorando amores perdidos
chorando amigos passados
esquecidos em algum lugar
congelados em retratos
mofando em meu armário
saudades contidas
pobre curitibano é oque sou
saudoso do cinza,e,
daquela gente tímida e reservada
da correria pandemônica nas calçadas
dos rostos áusteros e individuais
congelados pelo frio, sem poder sorrir
de medo que o rosto se parta...
pobre curitibano é oque sou.
sufocando com meus rabiscos
abafado no quarto, ausente
enquanto o ventilador azul
empurra sôfrego o ar quente
pobre curitibano é oque sou
por sentir pena de mim mesmo
ególatra e solitário poeta
a rabiscar amenidades
disfarçado em tímidas poesias
decompostas...